sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ela e o mar

Ela acordou com vontade de ver o mar...
Tinha muitos afazeres: trabalho, estudo, academia, filhos, marido... mas o mar não podia esperar. Não conseguia entender por que, mas essa atração era maior do que qualquer coisa.
Levantou, tomou um banho, pegou uma maça que encontrou perdida na fruteira e saiu. Tirou o carro da garagem e foi... tentou resistir e virar a direita rumo ao escritório, mas não conseguiu. Resolveu parar de lutar contra e foi ver o que o mar tanto queria com ela.
A neblina estava intensa durante quase toda a serra, impossibilitando a vista magnífica do oceano do alto da montanha.
Cerca de três horas depois a revelação, o mar havia sumido. Não estava onde deveria estar, e se não estava mais lá, obviamente muitas cidades poderiam estar encobertas neste exato momento. Um verdadeiro desastre, mais um, em meio às pequenas tragédias cotidianas que vivemos em silêncio. O mar teria fugido? Se escondido? O que estava acontecendo?
A cidade encontrava-se deserta, foi até uma padaria para obter alguma notícia, mas não havia ninguém para atendê-la. Resolveu ligar pra casa com a esperança de que alguém a pudesse tirar desse estado de estupefação e impotência. Nada, mudo, desligado ou sem bateria, o fato é que naquele momento ela era a única testemunha de algo que ela nem sabia ao certo se era real.
E se não era real, o que de real ela poderia tirar dessa catástrofe inventada? E se era real, pra que perder tempo refletindo sobre a autenticidade dos fatos, quando milhares de pessoas poderiam estar morrendo afogadas?
Ação, uma palavra tão pequena e tão difícil de ser experimentada!
Ao mesmo tempo em que tinha vontade de correr na direção onde deveria estar o mar até conseguir encontra-lo, seus pés fincaram no chão pelo instinto de sobrevivência que os habitava.
O que um simples olhar pode causar em nosso espírito e como a ausência dele pode nos ferir. Mais do que o mar, ela sentia falta de alguém pra compartilhar aquilo que ela nem sabia descrever. Um olhar, e talvez ela se sentisse mais confiante pra agir, talvez.
O dia poderia ter transcorrido normalmente se ela não resolvesse se meter onde não devia. Poderia ser um belo dia de sol a beira mar, se o mar não tivesse sumido. Poderia ser um dia banal, se ela não ouvisse seus instintos.
Ela correu, correu na direção oposta ao mar, pois não era o mar que deveria ser salvo. Precisava salvar-se, e precisava do outro para ser salva. Não havia sentido existir sozinha. Então correu, correu em busca do que ainda estava vivo, correu com sua esperança desesperada, correu, correndo, corre, corre, corre...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Prêmio


Mais do que talento, é preciso sensibilidade para ser um bom ator, e meus queridos alunos/atores tem os dois. Receberam o prêmio de melhor espetáculo pelo júri popular no Festival de Curtas de Teatro de Osasco (FECT) com a peça "Entre Andares" que dirigi.
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Parabéns a todos nós, mas principalmente a eles pelo empenho, coragem, entrega e pela confiança em si e no grupo. Prêmio super merecido!!!

domingo, 21 de junho de 2009

Talvez



Talvez eu tenha encontrado o que eu procurava.

Talvez eu continue insatisfeita.

Talvez, nunca, nada me baste.

Talvez um dia eu consiga entender certos "fenômenos".

Talvez eu descubra a cura para essa dor que não cessa.

Talvez eu aprenda a amar, talvez eu já saiba.

O certo é que não há nada tão certo, a roda pode parar de girar a qualquer momento, e eu não quero perder mais tempo na espera.


sábado, 13 de junho de 2009

Sem meias palavras


Hoje só vou dizer:
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Vem! Estou te esperando. Mas não demora, meus pés estão congelando...

sábado, 6 de junho de 2009

Momento desabafo


Ando sem inspiração pra escrever, confesso. Muitas coisas têm acontecido em minha vida, mas não consigo escrever sobre elas, ora porque são ligadas a conquistas materiais, e não vejo função falar delas aqui, ora porque de tão profundas não saberia quais palavras usar para descrever essas sensações peculiares.
Lembram quando eu disse que sentia que mudanças estavam a caminho? É, elas estavam mesmo, mas achei que no plano afetivo elas também viriam, e até agora não vieram, continuo num mar de confusões internas, vazia, indisposta para o que não é profundo, indelicada com os fantasmas, grosseira com os mentirosos, mas também uma pedra aos que se entregam de bandeja. Eu rezo, espero, grito, choro e nada muda... Encontro, luto, desejo, me entrego e nada muda... Me fecho, espero mais um pouco, me abro, me viro, até sambo, e nada muda... De repente muda, mas aí eu já mudei também, e preciso me readaptar as mudanças, e dá-lhe mudar ou mudar-me... é complicadinho ser gente, não?
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Aí vem um amigo querido e me diz: Você pensa demais, Lélia! Vive Lélia, vive!!!!
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Ok, ok, eu tento, mas quando não penso e ajo impulsivamente, parece que causo estragos ainda maiores, em mim e nos outros!!!
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Ai, ai, é complicadinho ser Lélia, não?
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C'est la vie
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(Imagem: Enquanto isso, eu danço quadrilha pra espairecer... rs...)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Aconteceu comigo

Senhora - Alô?
Eu – Alô.
S – Quem fala?
E – Com quem a senhora quer falar?
S – Que estranho! Que número é aí?
E – Número tal, a senhora quer falar com quem?
S– Mas esse é o número do meu telefone.
E – Esse é o número deste telefone, e é o meu.
S – Mas eu liguei pro meu telefone.
E – Deve ser outro DDD.
S – Você mora em que cidade?
E – Na cidade tal.
S – Eu também!!! Em que rua?
E – Ahm, não. Não minha senhora, nós não moramos na mesma casa, se tem alguma suspeita.
S – Mocinha, faz o seguinte, liga aqui na minha casa, vai ver que não estou mentindo. Liga aqui, e eu atendo.
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Ok, ok... a tonta aqui ligou, e obviamente deu ocupado. Essas coisas só acontecem comigo... Me lembrei de uma cena da peça "A cantora careca" de Ionesco, na qual um casal se encontra mas não se lembram de onde se conhecem, até que descobrem que são marido e mulher, fantástico!!!!!
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Bom, mas isso me fez pensar no seguinte: O QUE LEVA UMA PESSOA, ESTANDO EM SUA CASA, LIGAR(ou pelo menos achar que ligou) PARA O PRÓPRIO NÚMERO TELEFÔNICO??????? Seria isso o cúmulo da solidão?
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Vamos refletir a respeito minha gente e pensar numa maneira deu reencontrar essa simpática senhora!!!! Já tentei várias combinações, mas até agora nada... rs...
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(Imagem: obra A lua, de Tarsila do Amaral)

domingo, 3 de maio de 2009

Bebê girafa


Uma das imagens do dia no site Uol, "mãe girafa lambe a sua cria de apenas cinco dias de idade em zoológico de Rapperswil, na Suíça". Esse bichinho mexe comigo, de uma beleza superior a todos os outros, com seu olhar absolutamente desconcertante, é um mamífero elegante e tranquilo. A girafa apesar de tímida me parece muito atenta, observadora. Nós temos muito a aprender com ela, muito mesmo...