quinta-feira, 7 de maio de 2009

Aconteceu comigo

Senhora - Alô?
Eu – Alô.
S – Quem fala?
E – Com quem a senhora quer falar?
S – Que estranho! Que número é aí?
E – Número tal, a senhora quer falar com quem?
S– Mas esse é o número do meu telefone.
E – Esse é o número deste telefone, e é o meu.
S – Mas eu liguei pro meu telefone.
E – Deve ser outro DDD.
S – Você mora em que cidade?
E – Na cidade tal.
S – Eu também!!! Em que rua?
E – Ahm, não. Não minha senhora, nós não moramos na mesma casa, se tem alguma suspeita.
S – Mocinha, faz o seguinte, liga aqui na minha casa, vai ver que não estou mentindo. Liga aqui, e eu atendo.
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Ok, ok... a tonta aqui ligou, e obviamente deu ocupado. Essas coisas só acontecem comigo... Me lembrei de uma cena da peça "A cantora careca" de Ionesco, na qual um casal se encontra mas não se lembram de onde se conhecem, até que descobrem que são marido e mulher, fantástico!!!!!
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Bom, mas isso me fez pensar no seguinte: O QUE LEVA UMA PESSOA, ESTANDO EM SUA CASA, LIGAR(ou pelo menos achar que ligou) PARA O PRÓPRIO NÚMERO TELEFÔNICO??????? Seria isso o cúmulo da solidão?
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Vamos refletir a respeito minha gente e pensar numa maneira deu reencontrar essa simpática senhora!!!! Já tentei várias combinações, mas até agora nada... rs...
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(Imagem: obra A lua, de Tarsila do Amaral)

domingo, 3 de maio de 2009

Bebê girafa


Uma das imagens do dia no site Uol, "mãe girafa lambe a sua cria de apenas cinco dias de idade em zoológico de Rapperswil, na Suíça". Esse bichinho mexe comigo, de uma beleza superior a todos os outros, com seu olhar absolutamente desconcertante, é um mamífero elegante e tranquilo. A girafa apesar de tímida me parece muito atenta, observadora. Nós temos muito a aprender com ela, muito mesmo...


terça-feira, 14 de abril de 2009

1 ano de Blog


Dia 10 de abril esse blog fez aniversário, há um ano devaneio por aqui. Comecei despretensiosamente, só querendo ter um espaço onde eu pudesse escrever o que penso da vida, pessoas, coisas... A surpresa foi encontrar olhares amigos, que passaram a me acompanhar nessa "aventura com as palavras" (conforme escrevi lá trás). Passaram e passam por aqui tanta gente boa, que o mínimo que posso fazer é agradecer, os elogios, as críticas, os papos, o carinho...
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Luciana, minha querida amiga de tantos anos, mas que ultimamente só conseguimos nos encontrar virtualmente ( Água de Estrelas blog de Luciana Silva );
Leco, vanguardista, inconformado e bem humorado ( Nome da Coisa blog de Leco Vilela );
Lindo, inteligente e sedutor René ( A vida e a época de Gregor Samsa de René Piazentin );
Fabiano, meu filosofo preferido ( deciopivanianas blog de Fabiano Conte ), juntamente com meu querido Rogério Santos ( Histórias para contar de Rogério Santos ), este último abandonou seu blog e as visitas ao meu blog também;
Ah! Tem o Rico também, mas eu não sei ao certo se ele é filósofo ( Fatosdalingua );
Na ala dos escritores temos minha amada Fernanda Elisa, amiga de todas as horas e de uma intensidade invejável ( Blog de Fernanda Elisa ), o romântico Stive ( Blog de Stive Ferreira ) e mais recentemente Sandra ( Judith Secret Garden );
Meus mestres Dinéia e Jarbas (Boteco escola );
Além de alguns que me visitaram mas não aparecem faz tempo, como o Alain (Blog do Tamine ), Alair ( Fragmentos blog de Alair Toledo ), Elisa ( Art Educando blog de Elisa Kerr ), Felipe Scaranzi, Leandro Fregonesi...
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Humildemente agradeço, e espero que nossos olhares continuem a se cruzar em muitos outros aniversários!!!

sábado, 11 de abril de 2009

No meio da estrada

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Um olhar meio sem jeito, que é pura contradição, penetra em todas as minhas frestas, e mesmo parecendo inofensivo, invade todos os meus pensamentos. É a luz que desejo e penso todas as manhãs, mas que não está lá. É meu companheiro íntimo e ignorado. Conheço cada milímetro de seus olhos e sei que também são meus. Quando me fitam eu sinto que minha existência faz mais sentido. Mas não é só um olhar, é um encontro com o desconhecido cada vez que se encontram. Desconhecido pela grandiosidade do que é gerado a cada colisão, mas de uma maneira inexplicável pelos mecanismos racionais, o único “lugar” onde me sinto em casa. Não é o colorido deles que me embriaga e fascina, é toda a grandeza de alma que fica escondida atrás. É a beleza que só meus olhos, que também são deles, conseguem enxergar com toda a riqueza de detalhes. E que não pode ser descrito, porque as palavras não conseguem alcançar o que meus olhos sentem.
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Quero ir pra casa. Vem me buscar?
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(Obra: O beijo, de Pablo Picasso)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Mulher do banco

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(Uma mulher e um banco)
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Mulher – (dirigindo-se a um estranho que passa) Ei! Você pode sentar-se ao meu lado, por favor? Só quero conversar um pouco. Sobre o tempo? Pode ser. O tempo de que? (silêncio) Me queimei de água-viva bem aqui (mostra as costas) e não tem ninguém para assoprar um pouco, não tem ninguém pra aliviar minha dor.
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Fim

sexta-feira, 27 de março de 2009

mar aberto


É tão difícil entender o outro...
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“atrás de cada palavra tento desesperada encontrar um sentido, um código, uma senha qualquer que me permita esperar por um atalho onde não desvies tão súbito os olhos, onde teu dedo não roce tão passageiro meu braço, onde te detenhas mais demorado sobre isso que sou e penses quem sabe que se aceito tuas tramas, e vomitas sobre mim, depois puxas a descarga e te vais, me deixando repleto dos restos amargos que não digeriste, mas mesmo assim penses que poderia aceitar também meus jogos, esses que não suponho, ah detritos, mas tudo isso é inútil e bem sei de como tenho tentado me alimentar desta casca suja que chamamos com fome de pequenas-esperanças...”
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e mais...
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"Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calada, e assim submissa, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és..."
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Fragmento do conto À Beira do Mar Aberto, de Caio Fernando Abreu.
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Eu não quero me sentir assim, sempre que eu me apaixonar... prefiro um mar rodeado de ilhas, em que eu tenha a companhia, ao menos, dos habitantes marinhos da região (exceto a dos tubarões, moréias e barracudas)!!!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Afeto

(Jornal da USJT, março/2009)

O senhor Aurelio Buarque de Holanda Ferreira diz:

Afetividade é o conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob forma de emoções, sentimentos e paixões, acompanhados sempre da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza. (FERREIRA, 2001, p. 20)
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Fernanda, Lélia e Letícia completam:
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“Pode-se dizer, em outras palavras, no que diz respeito à afetividade, que um indivíduo pode ser afetado ou cometer o ato de afetar; ou seja, como seres sociais todos estão sujeitos, o tempo inteiro, a afetividade. Afetar, portanto, nada mais é que atingir; tratando-se de uma ação que acarreta conseqüências.
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Desde pequenos, na educação do ser humano, ouve-se falar da superioridade de pensar com a razão, como se o fator emocional se distanciasse significantemente das conquistas que, dizem os amantes da razão, são de caráter material. É necessário aqui rever alguns valores. As maiores conquistas da humanidade foram aquelas que, sem dúvida, envolveram a racionalidade humana, mas não se pode separar a motivação e os sentimentos de superação, busca, determinação, curiosidade, e até mesmo a própria capacidade de sonhar dos processos que desencadearam as grandes descobertas da humanidade. Não se deseja algo que não afeta o lado emocional, que não desperta vontade demasiada em descobrir, em ter, em ser. A necessidade, muitas vezes, impulsiona o indivíduo a buscar conhecimento, porém o aprendizado da necessidade vinda de fora, como algo externo, não é o mesmo da necessidade vinda de dentro do sujeito, que ambiciona sempre insatisfeito pelo que o afeta. Rosa (2003, p. 24) explica que “alimentamo-nos da tese segundo o qual o elemento distintivo do homem é a racionalidade. Que me perdoem os fiéis mais ortodoxos da razão, mas a originalidade do homem está no seu poder de sonhar”.
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Com o intuito de desenvolver a busca autônoma do educando pelo conhecimento é indispensável propiciar não só meios materiais para despertar seu interesse como também desencadear seus mecanismos internos. Como desencadeá-los? A resposta está na afetividade. Afetar visando à aproximação do aluno ao professor, possibilitando a eficiência no aprendizado, pois todos os sentidos do estudante estarão voltados para a aquisição de conhecimentos.” Trechos do artigo Afetividade para a formação integral do educando escrito por Fernanda, Letícia e Lélia
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Eu sinceramente acredito nisso, e experencio diariamente o ato de afetar, não só dentro da sala de aula, porque não faria sentindo, mas também em minhas relações “extra-classe”. Sou educadora em tempo integral, sou ser humano em tempo integral e não posso (e nem quero) ignorar o afeto em minha maneira de estar, ser e me relacionar com o mundo.